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Características distintas do solo podem exigir a combinação de sistemas de fundação para distribuir as cargas da estrutura com segurança e eficiência
As fundações são responsáveis por transmitir ao solo as cargas provenientes da construção. Embora estejam abaixo da superfície e, na maioria das vezes, não sejam percebidas depois que a obra está concluída, elas estão entre os elementos mais importantes para o desempenho e a estabilidade de uma edificação.
Por isso, não existe uma única solução de fundação que possa ser aplicada indistintamente a todos os terrenos. A escolha depende de fatores como as características do solo, as cargas que serão transmitidas, as condições do terreno e as particularidades do projeto. Em determinadas situações, inclusive, um mesmo empreendimento pode exigir diferentes tipos de fundação. É o que ocorre nas chamadas fundações mistas.
Um terreno, diferentes condições
As características do solo podem variar dentro de uma mesma área. Uma região pode apresentar resistência suficiente para receber uma fundação superficial, enquanto outra pode exigir que as cargas sejam transferidas para camadas mais profundas. Nessas situações, a engenharia pode combinar soluções, como sapatas e estacas profundas, desde que o projeto e os cálculos estruturais e geotécnicos indiquem essa alternativa.
Exemplos desse tipo de aplicação podem ser observados em obras acompanhadas pela Vigas. Em alguns casos, uma parte do terreno, onde há resistência suficiente do solo, é possível utilizar sapatas. Em outra área, por ter aterro, a solução adotada foi a execução de estacas profundas, complementadas por blocos de fundação responsáveis por receber os pilares.
Segundo o sócio-diretor da Vigas, Márcio Goerck, os casos demonstram como as condições encontradas no terreno interferem diretamente nas decisões de engenharia escolhidas pela equipe.
Por que combinar soluções?
A utilização de sistemas diferentes não significa que exista uma solução “melhor” ou “pior”. O objetivo é utilizar a alternativa tecnicamente adequada para cada condição identificada.
As fundações superficiais, como as sapatas, podem ser utilizadas quando as camadas próximas à superfície apresentam condições adequadas para suportar as cargas. Já as fundações profundas, como as estacas, permitem transferir os esforços para camadas mais profundas do terreno quando as condições superficiais não são suficientes ou quando o projeto exige esse tipo de solução.
A combinação pode contribuir para uma utilização mais racional dos sistemas de fundação, sempre de acordo com os parâmetros definidos pelo projeto. Para isso, o conhecimento das características do solo é fundamental. Investigações geotécnicas, análise das cargas e dimensionamento adequado fornecem as informações necessárias para que a engenharia defina como a estrutura será apoiada.
O planejamento começa no solo
Antes de pensar apenas na estrutura que ficará visível, é necessário compreender aquilo que está abaixo dela. “A escolha das fundações interfere diretamente na segurança, no desempenho e na durabilidade da construção. Por isso, decisões tomadas nessa etapa precisam considerar as características específicas de cada empreendimento, e não apenas soluções utilizadas em obras semelhantes.”
Para a Vigas, esse olhar técnico faz parte de uma engenharia que busca compreender o conjunto da obra e encontrar respostas adequadas às condições de cada projeto.
Afinal, uma estrutura eficiente começa por uma base bem planejada e, quando o terreno apresenta diferentes condições, a engenharia precisa saber responder a cada uma delas.